Chegar aos 40 anos costuma vir acompanhado de uma mudança que muita gente percebe primeiro ao olhar para o celular: as letras parecem menores, o braço começa a se afastar do rosto e tarefas que antes eram automáticas passam a exigir esforço para enxergar de perto. É a presbiopia, conhecida popularmente como vista cansada, uma alteração natural relacionada ao envelhecimento dos olhos.
Para quem já convive com miopia, astigmatismo ou hipermetropia, surge então uma dúvida comum: a cirurgia refrativa ainda pode ser uma solução depois dos 40 anos? Sim. A cirurgia refrativa a laser corrige miopia, astigmatismo, hipermetropia e, com as técnicas disponíveis atualmente, os exames podem também avaliar a necessidade de corrigir a visão para perto provocada pela presbiopia.
Em alguns casos, uma das estratégias utilizadas é a monovisão, em que um olho é programado para privilegiar a visão de longe e o outro, a visão de perto. O objetivo é proporcionar ao paciente uma visão funcional nas diferentes distâncias, de acordo com seu perfil, rotina e características oculares.
A discussão tende a ganhar importância com o envelhecimento da população. Uma revisão científica publicada em 2024 estima que a presbiopia deverá atingir cerca de 2,1 bilhões de pessoas no mundo até 2030.
“Existe ainda uma percepção de que, depois dos 40 anos, a pessoa perdeu a oportunidade de fazer uma cirurgia refrativa, e isso não é verdade. Hoje temos tecnologia para corrigir miopia, astigmatismo e hipermetropia e técnicas que permitem trabalhar também a necessidade de visão de perto. O planejamento muda de acordo com cada paciente, mas existe, sim, uma solução cirúrgica para muitos casos nessa faixa etária”, explica Valter Jobim, CEO e fundador da Ocular Laser Brasil.
Especializada em cirurgia refrativa, a Ocular Laser Brasil já realizou mais de 10 mil procedimentos e 12 mil avaliações. Segundo dados da rede, aproximadamente 80% dos pacientes avaliados recebem indicação para algum procedimento refrativo.
Depois dos 40, a avaliação considera, além do grau, fatores como córnea, superfície ocular, retina, cristalino, presença da presbiopia e hábitos do paciente. Trabalho diante de telas, direção noturna, leitura, prática esportiva e outras atividades do dia a dia ajudam a definir qual estratégia de correção é mais adequada.
A proposta não é somente corrigir o grau existente, mas planejar a visão de acordo com as diferentes distâncias utilizadas na rotina. Por isso, pessoas com a mesma idade e graus semelhantes podem receber indicações diferentes.
“Temos uma geração muito ativa chegando aos 40, 45 e 50 anos e vivendo cada vez mais diante das telas. Uma meta-análise publicada em 2025 no JAMA Network Open, com dados de mais de 335 mil pessoas, mostrou que cada hora adicional de exposição diária a telas digitais esteve associada a um aumento de 21% nas chances de miopia. É uma geração com uma demanda visual intensa e que busca cada vez mais independência dos óculos. Hoje, a tecnologia nos permite avaliar e oferecer alternativas de correção tanto para longe quanto para perto”, finaliza Jobim.
Autor(a): Rosiley Souza
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