No Restaurante Raízes, a tainha chega como parte de um gesto de preservação da memória manezinha. Para a chef Jô Machado, trabalhar com o peixe é reafirmar vínculos com a cultura do pescador. “Para o Raízes, ela traz um resgate da nossa história. Afinal, buscamos manter viva a cultura do pescador, e a tainha é comida raiz, simples e com fartura”, afirma. No cardápio, as preparações seguem a tradição local: frita com pirão e acompanhamentos, grelhada recheada com ova e camarão ou apenas grelhada, sempre priorizando o frescor. As tainhas servidas na casa vêm da pesca artesanal da Praia de Palmas, em Governador Celso Ramos, reforçando a conexão entre cozinha e comunidade. As unidades do restaurante em Governador Celso Ramos e Itapema também oferecem o peixe durante a temporada, com disponibilidade sujeita ao ritmo da safra.
A tainha também começa a ganhar espaço em propostas mais autorais da gastronomia da cidade. No Bonomi, restaurante finalista do Prêmio Prazeres da Mesa 2026 do chef Rafael Sinko, no Rio Tavares, o ingrediente aparece em uma leitura descomplicada e direta ao ponto: tainha na brasa com molho de manteiga tostada e limão, combinação que realça o sabor marcante do peixe com poucos elementos e foco absoluto no produto. A equipe testa ainda novas possibilidades para a temporada, como um brioche de mandioquinha com foie e tainha em escabeche, mostrando que o peixe, apesar de tradicional, permite interpretações contemporâneas, leves e cheias de personalidade.
No Shima Sushi, restaurante oriental do Grupo Alma, a tainha entra no radar da cozinha para compor o menu de inverno. A equipe vem experimentando cortes como usuzukuri, lâminas finas servidas de forma delicada, e nigiri, explorando textura e sabor sob a ótica da culinária japonesa. A proposta é incorporar o peixe de maneira elegante e precisa, respeitando a essência da técnica oriental e, ao mesmo tempo, dialogando com a cultura local. Ainda em fase de testes, as preparações devem integrar o menu sazonal, reforçando o compromisso da casa com ingredientes frescos, de época e conectados à cidade.
Entre tradição e reinvenção, a tainha reafirma seu lugar como símbolo da gastronomia de Florianópolis: um ingrediente que atravessa o tempo, une comunidades e inspira cozinhas a cada nova safra.
Autor(a): Rosiley Souza
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