É neste fim de semana: Festival Street Art Tour - Conexões Lusófonas movimenta Florianópolis com programação intensa de arte urbana

É neste fim de semana: Festival Street Art Tour - Conexões Lusófonas movimenta Florianópolis com programação intensa de arte urbana

Com duas edições marcadas pelo sucesso, o Festival Street Art Tour já deixou sua assinatura nas empenas e fachadas do centro histórico e de outros bairros de Florianópolis, um legado que hoje faz da cidade uma referência em arte urbana. A terceira edição do projeto já está em andamento, com os murais individuais e coletivos de pequeno, médio e grande formato em produção pela cidade - desta vez extrapolando as fronteiras de Florianópolis, com a novidade do primeiro mural em empena que será realizado em Blumenau. A programação principal acontece nos dias 5 e 6 de setembro, na Arena do Largo da Alfândega, e inclui torneio de Crew's, tour guiado, oficinas de arte, mercado de arte, shows e exposições.

Em 2026, o festival vem com o tema Conexões Lusófonas, propondo um olhar sobre a língua portuguesa não como símbolo de unidade pacífica, mas como resultado de encontros, migrações, resistências e misturas culturais que seguem vivas até hoje. Falado em países atravessados pela colonização portuguesa, o português deixou de pertencer apenas a Portugal há muito tempo, e cada território reinventou essa língua à sua maneira, nas ruas de Luanda, nos becos do Rio de Janeiro, nos terreiros, nos slams, no rap crioulo de Cabo Verde, no samba, no funk, no kuduro e no graffiti que hoje circula entre continentes. Nesta edição, mais de 100 artistas deixarão sua marca na cidade: catarinenses dividem espaço com nomes de diversas regiões do Brasil e de países lusófonos como Angola, Portugal e Cabo Verde.

É esse território plural que o Street Art Tour propõe discutir por meio da arte urbana e da música, ocupando Florianópolis como ponto de encontro. A cidade, marcada pela herança da imigração açoriana, presente na arquitetura, na pesca e nos modos de falar, também vive as contradições de um Brasil contemporâneo desigual e atravessado por disputas urbanas e culturais. É desse contraste que a edição deste ano parte: mais do que representar bandeiras nacionais, os murais e shows do festival propõem um diálogo entre linguagens que nasceram da rua, da mistura e do improviso.

Nesta edição, a proposta segue a mesma vocação de aproximar arte e cidade: os murais não ilustram uma visão folclórica da lusofonia, mas trazem discussões sobre herança colonial, identidade periférica, ancestralidade africana, migração, memória e cultura popular contemporânea. Na música, a curadoria segue a mesma lógica - ritmos como samba, funaná, afrobeat, rap crioulo, amapiano e fado dividem o mesmo palco não para celebrar uma harmonia perfeita entre países irmãos, mas para evidenciar como culturas conectadas pela língua produziram estéticas radicalmente diferentes entre si.

Street Art Tour

 

O Street Art Tour surgiu da parceria entre o Studio de Ideias Produtora Cultural, dos sócios Arturo Valle Junior e Marina Tavares, com o artista urbano Rodrigo Rizo. Desde 2018, o projeto incentiva e realiza obras de arte urbana em pontos estratégicos da cidade, como os murais em Homenagem ao Poeta Cruz e Sousa, do artista Rodrigo Rizo, “Viva Cidade Viva”, localizado na Rua Felipe Schmidt, dos artistas Cris Pagnoncelli (Paraná) e Tio Trampo (Porto Alegre); “Eterna”, dos artistas do Acidum Project e “Fritz e Rosa”, do artista Ignore Por Favor e outros mais.

 

A escolha de Conexões Lusófonas como tema do festival nasce de uma experiência muito pessoal. Em 2024, tive a oportunidade de conhecer Cabo Verde durante um intercâmbio artístico para participar do festival de arte urbana SCAW, a convite das produtoras culturais portuguesas MGA e ORB Creative Lab, que desenvolvem projetos no contexto da Lusofonia em diálogo com a CPLP. Naquela viagem, visitei também Portugal pela primeira vez. Foi, portanto, minha primeira experiência concreta com esse universo lusófono para além do Brasil. Esse encontro me fez perceber que compartilhamos uma língua e muitos atravessamentos históricos, mas que existe uma diversidade cultural imensa entre esses territórios. Voltei dessa experiência com o desejo de aproximar essas diferentes realidades através da arte urbana. Conexões Lusófonas nasce justamente desse desejo: criar pontes, promover encontros e entender a língua portuguesa não apenas como uma herança comum, mas como um território vivo de troca, identidade e transformação”. Rodrigo Rizo - curador do festival.

 

Ao ocupar o espaço urbano, o festival em seu terceiro ano celebra a pluralidade da Lusofonia — nossa língua portuguesa como identidade e transformação. Reafirma a potência da arte urbana em Florianópolis, valorizando a cidade e unindo pessoas por meio de uma conexão transformadora entre arte, artistas e o espaço público. Mais do que um festival, este é o propósito que construímos para Florianópolis: ao abrir espaços para a arte, fortalecemos o pertencimento das pessoas com o espaço urbano e transformamos nossas áreas públicas em lugares vivos de encontro, cultura e conhecimento”. Marina Tavares - Coordenadora do Street Art Tour

"A ideia do Street Art Tour sempre foi muito clara: fazer a arte conversar de verdade com quem vive a cidade no dia a dia, transformando nossos caminhos em uma grande galeria aberta para todo mundo. Nesta edição, com o tema Conexões Lusófonas, a gente quis dar um passo a mais e transformar Floripa em um grande ponto de encontro entre sotaques, visões e histórias de diferentes países que compartilham a nossa língua.

O festival não é só sobre pintar murais gigantes e mudar o visual das ruas — embora isso já transforme totalmente a energia da cidade. O projeto ganha vida de verdade quando a gente conecta todas as pontas: as pinturas acontecendo ao vivo, as oficinas de experimentações com a comunidade e a galera jovem, as discussões e conversas sobre o papel da arte urbana e os passeios guiados que convidam as pessoas a caminhar e redescobrir a própria cidade. Queremos que quem passe pela rua sinta que aquele espaço também é seu, criando memórias visuais e conexões humanas que continuem vivas por muito tempo." Arturo Valle Junior - Coordenador do Street Art Tour

O Festival Street Art Tour é viabilizado pelo Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e Prefeitura Municipal de Florianópolis, sendo Armacell e Hennings as empresas patrocinadoras e Bistek Supermercados, Condor S/A e C.Pack, Apoio de Tintas Coral, MTN as empresas incentivadoras.

MURAIS

Mural em Homenagem ao artista Victor Meirelles
03 Murais no Centro de Florianópolis
02 Murais na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Mural Córrego Grande
Pintura Coletiva Falando de Graffiti no Córrego Grande
Pintura Coletiva Travessias no Estreito
Mural Centro Cultural Anastácia no Estreito
Galeria Viva no Largo da Alfândega – Pintura Coletiva
Galeria de Arte da Marriquinha – Pintura Coletiva

EXPOSIÇÕES

"Língua Viva", de Cris Pagnoncelli — Galeria Berlin (Rua Vitor Konder, 409 – Centro). Em cartaz desde 02/09, com visitação de terça a sábado, das 13h30 às 23h, entrada gratuita.

"É Apenas o Começo", de Wagner Wagz, com curadoria de Kamilla Nunes — Galeria Municipal Paulo Vichetti (Praça XV de Novembro). Abertura sábado (05/09) às 10h, visitação das 10h às 16h.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA — LARGO DA ALFÂNDEGA

Sábado, 05 de setembro

Exposição
10h – Abertura de "É Apenas o Começo", de Wagner Wagz | Galeria Paulo Vichetti

Passeios Guiados
10h – Walking Tour
15h – Walking Tour com Guia Manezinho
Ponto de encontro: Largo da Alfândega

Tenda Mercado
15h às 21h – Mercado de Arte, com 17 artistas selecionados de diversas regiões do Brasil

Galeria da Alfândega
15h – Live Paintings com 10 artistas

Tenda Oficinas
15h às 16h30 – Apresentação: No Beat da História
15h30 e 18h – Oficina Paris - Pintura em Tela
15h às 20h30 – Oficina de Spray
16h30 e 19h – Oficina de Lambe-lambe
16h30 e 19h – Oficina Posca
18h às 19h – Oficina de DJ

Palco Principal
15h – DJ Set
17h30 – Show Makalister + DJ Belton convidam Alka, Negro Rudhy e MC Menor
19h – Show MC Versa convida Green Tea
20h30 – Show Melly

Domingo, 06 de setembro

Passeios Guiados
10h e 15h – Walking Tour com Guia Manezinho | Ponto de encontro: Largo da Alfândega
10h – Rolê da Mariquinha com Alex Correia | Ponto de encontro: Av. Mauro Ramos, 40 - Centro

Tenda Mercado
15h às 21h – Mercado de Arte

Galeria da Alfândega
15h – Live Paintings com 10 artistas

Tenda Oficinas
15h às 16h30 – Apresentação: No Beat da História
15h30 e 16h30 – Oficina Paris - Pintura em Tela
15h às 20h30 – Oficina de Spray
16h30 e 19h – Oficina de Lambe-lambe
16h30 e 19h – Oficina Posca
18h às 19h – Oficina de DJ

Palquinho
16h30 às 18h – Torneio de Crew's

Palco Principal
15h – DJ Set
17h30 – DJ Erick Jay
19h10 – Show Stefanie
20h30 – Show Criolo, Amaro Freitas e Dino D'Santiago

 

SOBRE OS SHOWS

Sábado, 5 de setembro

MC Versa convida Green Tea
MC Versa apresenta um novo olhar sobre seu repertório autoral ao lado de uma banda formada exclusivamente por mulheres. As músicas ganham novos arranjos, passeando pelo soul, R&B, jazz e MPB, em um show marcado pelo groove, pela improvisação e pela proximidade com o público. No palco, os temas centrais são autonomia, relações afetivas, desejo e protagonismo feminino.

Natural de Santa Catarina e cria da batalha das Minas, MC Versa soma mais de 20 mil seguidores nas redes e mais de 300 mil plays em suas músicas. Já se apresentou em grandes festivais e cidades brasileiras, participou do projeto Camping das Minas (selo Xaolin Records, de MC Hariel) e dividiu palco com nomes como Matuê, MC Marechal, Black Alien e Djonga. Vencedora do Prêmio Profissionais da Música 2023 na categoria hip hop feminino, é também CEO da Braba Music, selo voltado a fortalecer mulheres na música urbana.

Green Tea é um quarteto de mulheres com repertório de soul, R&B e jazz, que homenageia grandes intérpretes e compositoras clássicas e contemporâneas, com o objetivo de incentivar outras mulheres a ocupar mais espaço no cenário musical.

Makalister e DJ Belton convidam: Alka, Negro Rudhy e Gustavo Menor
Makalister sobe ao palco do Street Art Tour com o melhor da cena musical brasileira atual. Os sucessos do novo disco "DSQVDVQE" se somam a clássicos de sua carreira, embalados por boombaps pesados, traps experimentais e uma levada única de UK drill sob comando de DJ Belton nos toca-discos. As participações de Negro Rudhy, Gustavo Menor e Alka reforçam a diversidade musical que Florianópolis sempre exportou para o Brasil através do rap.

Melly
Uma das vozes mais potentes da nova música brasileira, a cantora e compositora baiana construiu sua identidade sonora a partir do R&B com a força de sua afrobaianidade. Eleita Artista Revelação no Prêmio Multishow e indicada ao Grammy Latino 2024 (Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa), já se apresentou em festivais como Afropunk Bahia, MITA e Rock The Mountain. Lançou os álbuns "Amaríssima" e "Amaríssima V2" — com colaborações de Karol Conká, Duda Beat, Liniker e Russo Passapusso — e, mais recentemente, "Mais Forte Que a Dúvida", com feats de Anitta, Léo Santana, Luedji Luna e Liniker. Participa ainda da faixa "Ternura", do álbum "Equilibrivm", de Anitta.

Domingo, 6 de setembro

Criolo, Amaro Freitas e Dino D'Santiago
Um álbum que não nasceu de um plano, mas de um instante, em Lisboa: Criolo e Dino D'Santiago desenvolveram um projeto quando o pianista Amaro Freitas apareceu em estúdio. Do encontro nasceu "Esperança", canção indicada ao Latin Grammy que deu origem a um álbum inteiro, transitando entre rap, MPB, jazz, morna e funaná.

Criolo (Kleber Cavalcante Gomes) é rapper, cantor e compositor nascido em 1975 na periferia de São Paulo. Ganhou projeção nacional com "Nó na Orelha" (2011) e segue como um dos nomes mais importantes do hip-hop brasileiro, reconhecido por letras de forte crítica social, com trabalhos como "Convoque Seu Buda" (2014), "Espiral de Ilusão" (2017) e "Sobre Viver" (2022).

Dino D'Santiago, algarvio de ascendência cabo-verdiana, é uma das vozes mais proeminentes da música portuguesa atual, reconhecido por reconfigurar o lugar do batuku e do funaná dentro da esfera pop europeia.

Amaro Freitas é um dos pianistas mais inovadores do jazz atual, redesenhando o instrumento a partir das tradições rítmicas de Pernambuco — maracatu, frevo e baião.

Stefanie
Após 21 anos na cultura hip-hop, Stefanie lança seu primeiro álbum solo, "BUNMI", aprovado no edital Natura Musical, com produção de Grou e Daniel Ganjaman. No palco, se apresenta ao lado de Ieda Hills, pioneira do rap nacional, e do DJ Negrito. MC, rapper e compositora com mais de 20 anos de trajetória, já abriu shows de De La Soul, Talib Kweli e Pharoahe Monch, e soma colaborações com Emicida, IZA, Rashid, Luedji Luna, Kamau, MV Bill, Drik Barbosa e Tássia Reis.

 

 



Autor(a): Rosiley Souza



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