O espetáculo cênico-musical “Aquilombar-se em Desterro”, do coletivo Mandinga Preta, leva ao Sesc Prainha, no dia 7 de agosto, sexta-feira, às 20h, muita música, dança e performances em exaltação às culturas negras, indígenas e afro-indígenas e ao som das múltiplas musicalidades que conduzem ao público por uma experiência única e vigorante.
“Aquilombar-se em Desterro” é um espetáculo criado pelo Mandinga Preta, primeiro coletivo afrocentrado de Santa Catarina dedicado ao estudo e à difusão da percussão da cultura mandengue. A obra é inspirada nos ritmos do Oeste Africano, afro-brasileiros e afro-indígenas, e reúne música, dança e performance em celebração das culturas negras e indígenas. Fruto de uma criação coletiva de artistas residentes em Santa Catarina, a montagem propõe o aquilombamento como prática de encontro, afeto e fortalecimento comunitário.
Desde 2021, o coletivo desenvolve pesquisas sobre a percussão do Oeste Africano, cujas expressões artísticas e musicais influenciaram profundamente a formação da cultura afro-brasileira. O espetáculo nasce desse processo de investigação, estudo e intercâmbio, transformando o palco em um espaço de encontro entre passado e presente, África e diáspora, tradição e criação contemporânea.
Conduzido pelos sons dos djembes e dununs, instrumentos tradicionais da cultura mandengue, o espetáculo apresenta cenas inéditas, além de arranjos percussivos desenvolvidos a partir dos estudos realizados com o mestre africano Sekouba Oularé, e ainda, conta com composições originais realizadas entre o grupo em parceria com a multi artista Dessa Ferreira. Cada elemento cênico busca evocar diferentes memórias das culturas afrodiáspóricas, refletir sobre as suas formas de existência, visões de mundo, buscando os caminhos e as estratégias de resistências das populações negras em territórios que historicamente foram marcados pelo apagamento sistemático do protagonismo negro.
O conceito de “aquilombar-se” é o eixo central da obra. Mais do que uma referência aos quilombos, o espetáculo propõe o aquilombamento como prática contemporânea de afeto, proteção, partilha de saberes e fortalecimento coletivo. Em cena, o corpo, o ritmo e a palavra tornam-se instrumentos de reconexão com as heranças africanas e de afirmação das identidades negras.
“Aquilombar-se em Desterro” também estabelece um diálogo com a própria cidade de Florianópolis, reconhecendo as presenças negras que constituem a história do território e evidenciando os processos de invisibilização que ainda atravessam essas narrativas. O espetáculo convida o público a uma experiência sensorial e reflexiva, na qual música e movimento criam um espaço de memória e celebração.
Resultado de uma criação coletiva entre artistas negros atuantes nas áreas da música, dança, teatro, performance, produção cultural e arte-educação, reafirmando a potência da arte afrocentrada como ferramenta de transformação social, preservação de memórias e construção de novos imaginários.
SOBRE O MANDINGA PRETA
O Mandinga Preta é o primeiro coletivo afrocentrado de Santa Catarina dedicado ao estudo da percussão da cultura mandengue. Formado por artistas negros que atuam nas áreas da música, dança, teatro, performance, produção cultural e arte-educação, o grupo desenvolve, desde 2021, pesquisas sobre as tradições do Oeste Africano e suas influências na cultura afro-brasileira.
Além da criação artística, o projeto realiza ações de formação e difusão cultural, como oficinas de percussão africana e afro-brasileira para crianças e adolescentes, e produz o podcast “Mandinga Preta: Diálogos Diaspóricos”, dedicado ao registro de histórias de mestres e artistas africanos e afro-brasileiros, bem como a reflexões sobre ancestralidade, identidade e presença negra no Brasil.
Autor(a): Rosiley Souza
Voltar