Três mulheres com mais de 40 anos, um elevador parado e 17 minutos sem sinal, ventilação ou filtro. O que poderia ser apenas uma situação incômoda vira o ponto de partida para uma conversa sobre a menopausa, assunto que raramente ganha espaço nos palcos. É assim que começa Mulheres em Chamas, comédia protagonizada por Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe, que chega à Arena Opus, em São José, no dia 30 de agosto.
Criado pelas próprias atrizes e dirigido por Paula Cohen, o espetáculo transforma as experiências do climatério em matéria-prima para o humor. Em cena, mudanças do corpo, pressão social, sobrecarga, desejo e o medo de envelhecer aparecem misturados a situações absurdas e delírios que dão forma ao que muitas mulheres vivem, mas nem sempre conseguem colocar em palavras.
A identificação é parte importante da experiência. Afinal, quem nunca sentiu que o corpo resolveu fazer suas próprias regras? Em Mulheres em Chamas, esse desconforto ganha espaço para ser compartilhado e, principalmente, para virar motivo de riso. A proposta é justamente tirar a menopausa do lugar de tabu e falar sobre ela com leveza, franqueza e humor.
A ideia também nasceu de experiências pessoais das atrizes. Miá Mello conta que chegou a pensar que os primeiros sintomas fossem jet lag, enquanto Camila Raffanti começou a perceber o climatério aos 39 anos. No espetáculo, essas vivências se misturam à ficção para construir uma narrativa em que o cotidiano e o surreal caminham lado a lado.
O elevador, aliás, não está ali por acaso. Para Camila, ele funciona como uma metáfora para a sensação de paralisia provocada pelas transformações do corpo. Presas naquele espaço, as personagens compartilham memórias, angústias e confissões até que, aos poucos, encontram uma forma de atravessar aquela fase.
E é aí que a amizade também entra em cena. Entre uma crise hormonal e outra, as três personagens encontram, umas nas outras, a possibilidade de rir daquilo que antes parecia assustador. A peça brinca com a ideia de que existe o mundo real e o “mundo hormonal” e que, às vezes, os dois parecem acontecer ao mesmo tempo.
Com 80 minutos de duração, Mulheres em Chamas chega à Arena Opus como um convite para rir de um assunto que, por muito tempo, foi tratado em voz baixa. E não apenas para quem está vivendo a menopausa. Segundo as próprias atrizes, a peça também pode ser uma oportunidade para que homens e pessoas de outras gerações entendam um pouco melhor as transformações que atravessam a metade da população.
No palco, o que começa com três mulheres presas em um elevador termina em uma espécie de libertação coletiva. Porque, se a menopausa ainda não costuma ser assunto de conversa de elevador, talvez já esteja mais do que na hora de colocá-la no centro do palco.
Os ingressos custam a partir de R$ 55,00 e estão à venda em Uhuu.com e pontos autorizados. Mais informações no serviço abaixo.
Autor(a): Rosiley Souza
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