O Abril Azul reforça que o autismo não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento. O diagnóstico precoce e a atenção à nutrição devem integrar uma abordagem ampla, que valorize a individualidade, o respeito e a inclusão social.
O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo é celebrado no dia 2 e abre um mês inteiro dedicado à ampliação do conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, divulgados em abril de 2025, indicam que 1 em cada 31 crianças de 8 anos foi identificada com autismo.
O Brasil, de acordo com resultados detalhados divulgados em 2025, pelo IBGE, registrou pela primeira vez 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA, o equivalente a 1,2% da população. Número que reflete uma maior conscientização e ampliação do acesso ao diagnóstico à população.
A neuropsicopedagoga Mariele Finatto, coordenadora de uma pós-graduação sobre autismo no Unicesusc, afirma que identificar os sinais ainda na infância é fundamental para o desenvolvimento da pessoa com TEA. “O diagnóstico precoce permite intervenções mais assertivas, que contribuem diretamente para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Quanto antes a criança for acompanhada, maiores são as possibilidades de evolução e autonomia”, explica.
Os sinais mais comuns do transtorno incluem dificuldades na comunicação, padrões repetitivos de comportamento e desafios na interação social. O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, que envolve profissionais de saúde e de educação.
A relação entre autismo e alimentação tem ganhado atenção em estudos científicos recentes. Pesquisas publicadas entre 2023 e 2025 mostram que crianças com TEA apresentam maior prevalência de seletividade alimentar, o que pode levar a deficiências de nutrientes como ferro, zinco e vitaminas do complexo B. A professora de nutrição materno-infantil do Unicesusc Fabiane Lima, ressalta que a seletividade, muitas vezes ligada à sensibilidade sensorial e à rigidez cognitiva, interfere na aceitação de alimentos e pode afetar o comportamento e o desenvolvimento. “Uma dieta restrita pode gerar deficiências nutricionais que influenciam o funcionamento do organismo e aspectos comportamentais”, afirma.
Segundo a especialista, o acompanhamento nutricional deve ser individualizado, respeitando as particularidades sensoriais de cada criança, a rotina familiar e as necessidades metabólicas. Os ajustes na alimentação contribuem para melhorar a disposição, a concentração e a qualidade de vida da pessoa. Estudos também investigam a relação entre o eixo intestino-cérebro e o autismo, sugerindo que a saúde intestinal pode influenciar nos sintomas comportamentais.
Autor(a): Rosiley Souza
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