Outubro Rosa: diagnóstico precoce, avaliação de risco e avanços mudam o tratamento do câncer de mama

Outubro Rosa: diagnóstico precoce, avaliação de risco e avanços mudam o tratamento do câncer de mama

 

O medo do diagnóstico, a falsa ideia de que o câncer de mama só atinge quem tem casos na família e a ligação automática entre a doença e a perda da mama ainda aparecem nas conversas da mastologista e ginecologista Rebeca Heinzen com suas pacientes. Neste Outubro Rosa, a cirurgiã, professora universitária e vice-presidente da Sociedade Catarinense de Mastologia, propõe ampliar o debate para enfrentar essas dúvidas e aproximar as mulheres do acompanhamento de saúde, da investigação de sintomas e de informações sobre as possibilidades de tratamento.


Segundo a médica, o cuidado começa por reconhecer que cada mulher tem uma história e um perfil de risco. Idade, antecedentes pessoais e familiares e, em situações específicas, predisposição genética ajudam a definir o acompanhamento. A ausência de casos conhecidos de câncer de mama na família não elimina a possibilidade de desenvolver a doença.


A médica também diferencia o rastreamento, realizado em pessoas sem sintomas, da investigação de uma alteração já percebida. Um nódulo persistente, mudanças no formato da mama, retração do mamilo ou saída espontânea de secreção, especialmente com sangue, precisam de avaliação profissional. Ser jovem ou estar fora da faixa dos exames de rotina não é motivo para adiar essa investigação.
“Conhecer a aparência habitual das mamas ajuda a perceber mudanças, mas não substitui os exames indicados nem o acompanhamento médico. Mamografia, ultrassom e ressonância têm funções diferentes e não devem ser vistos como alternativas equivalentes. Existe o exame certo para cada situação e cada perfil de risco”, explica Rebeca.


A avaliação individual também orienta a discussão sobre a questão genética. A depender da história pessoal e familiar, pode ser indicado aconselhamento para entender a necessidade de testes, seus limites e as possíveis implicações dos resultados. A identificação de uma predisposição hereditária pode modificar a rotina de acompanhamento e abrir uma conversa sobre medidas de redução de risco.


No tratamento, a mastologista ressalta que as características do tumor passaram a ter papel central nas decisões. A retirada de toda a mama e a quimioterapia não são necessárias em todas as situações. Cirurgia conservadora, reconstrução mamária e diferentes terapias fazem parte das possibilidades avaliadas pela equipe, de acordo com o diagnóstico e as condições de cada paciente.


Rebeca destaca ainda que o cuidado precisa considerar o que acontece na vida da mulher durante e depois do tratamento. Fertilidade, sexualidade, mudanças hormonais, imagem corporal e apoio psicológico devem entrar na conversa desde o planejamento. Quando há desejo de gestação futura, por exemplo, as possibilidades de preservação da fertilidade precisam ser discutidas antes de terapias que possam comprometê-la, sempre que houver indicação e viabilidade.


Para a médica, a mobilização de outubro deve ajudar a construir uma rotina de cuidado que continue nos demais meses. Manter o acompanhamento, conversar sobre o próprio risco e procurar atendimento diante de sinais suspeitos são caminhos para transformar a conscientização em ação.


“O câncer de mama tem cura, e as taxas são muito altas, principalmente quando a doença é identificada em estágios iniciais”, afirma Rebeca.
Segundo a mastologista, os avanços no diagnóstico e na identificação dos diferentes subtipos do tumor tornaram as condutas mais precisas, ampliaram as possibilidades terapêuticas e permitiram evitar tratamentos desnecessários em parte dos casos.
“O medo muitas vezes reflete uma imagem da doença de décadas atrás, que já não corresponde à realidade atual”, completa.


1. Jovem demais para ter câncer de mama?
Uma alteração na mama não deve ser desconsiderada porque a mulher é jovem ou não tem casos da doença na família. A mastologista Rebeca Heinzen relata observar no consultório pacientes jovens que chegam ao diagnóstico após a pouca valorização dos sintomas. Para ela, esse é um dos temas que merecem mais espaço no Outubro Rosa.
Nódulos persistentes, retração do mamilo e outras mudanças suspeitas precisam de avaliação em qualquer idade. A médica ressalta que investigar um sintoma é diferente de indicar exames de rastreamento para todas as mulheres: mesmo quem ainda não está na faixa dos exames de rotina deve procurar atendimento diante de uma alteração.


2. Ultrassom pode substituir a mamografia?
Na avaliação das mamas, escolher um exame não é uma disputa para descobrir qual é o “melhor”. Mamografia, ultrassom e ressonância respondem a perguntas diferentes, explica a mastologista Rebeca Heinzen. A indicação depende do risco, da idade, dos sintomas e dos achados de cada paciente.
Segundo a médica, o ultrassom pode complementar a investigação, ajudar a esclarecer um achado e orientar uma biópsia. A ressonância tem indicações específicas, inclusive no acompanhamento de mulheres com risco elevado. Nenhum deles deve ser tratado como substituto automático da mamografia. A escolha precisa fazer parte de uma avaliação individual.
Todavia, o único exame que quando realizado de forma rotineira em pacientes assintomáticas que diminui a mortalidade por câncer de mama foi a mamografia.


3. Diagnóstico de câncer de mama não significa retirada obrigatória da mama
O medo de perder a mama ainda pesa na forma como muitas mulheres enxergam o câncer. A mastologista Rebeca Heinzen chama a atenção para uma mudança que nem sempre acompanha esse imaginário: o tratamento é definido conforme as características da doença e não exige a mesma conduta para todas as pacientes.
Em casos selecionados, é possível realizar cirurgia conservadora; quando a mastectomia é indicada, a reconstrução pode integrar o planejamento. Nem toda paciente precisa de quimioterapia. Segundo Rebeca, explicar essas possibilidades, sem antecipar a indicação de cada caso, ajuda a enfrentar a ideia de que todo diagnóstico leva necessariamente ao mesmo percurso.


4. Fertilidade e sexualidade também precisam entrar na conversa sobre câncer de mama
A conversa sobre o tratamento do câncer de mama precisa incluir os planos e a qualidade de vida da mulher. A mastologista Rebeca Heinzen destaca que fertilidade, sexualidade e imagem corporal ganharam espaço no cuidado, ao lado do controle da doença.
Para quem deseja uma gestação futura, a possibilidade de preservar a fertilidade deve ser discutida antes do início de tratamentos que possam afetá-la, sempre que possível e conforme a avaliação da equipe. Apoio psicológico e planejamento da reconstrução mamária, quando indicada, também fazem parte dessa atenção. Para Rebeca, essas questões devem ser abordadas desde o diagnóstico.

 



Autor(a): Rosiley Souza



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