PMMA já estava sob restrição quando pacientes denunciaram complicações após harmonização de glúteos

PMMA já estava sob restrição quando pacientes denunciaram complicações após harmonização de glúteos

As denúncias de mulheres que relatam dores intensas, deformidades e complicações persistentes após procedimentos de harmonização de glúteos em uma clínica de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro, colocaram novamente o polimetilmetacrilato (PMMA) no centro das discussões sobre segurança em procedimentos estéticos.

O caso, investigado pela Delegacia do Consumidor (Decon), ocorre poucas semanas depois de o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibir o uso médico da substância para preenchimentos estéticos e reparadores em todo o país, mantendo exceção apenas para pacientes com HIV em tratamento específico no SUS.

Para o cirurgião plástico Dr. Alexandre Peruzzo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a principal dificuldade é que muitas pessoas ainda desconhecem que o PMMA não se comporta como outros preenchedores absorvíveis. A preocupação, segundo ele, não está apenas no momento da aplicação, mas na resposta que cada organismo pode desenvolver ao longo do tempo.

A defesa por técnicas que provoquem o menor impacto possível ao organismo faz parte da filosofia de atuação do especialista, que associa cirurgia plástica à preservação da saúde e não apenas ao resultado estético."O PMMA é basicamente um plástico. Na forma injetável, ele é composto por microesferas suspensas em um gel. Esse gel é absorvido pelo organismo, mas as microesferas permanecem para sempre no tecido. O corpo reconhece esse material como um corpo estranho e passa a produzir colágeno ao redor dele, criando volume. Por isso ele é considerado um preenchedor definitivo", explica.

O problema, segundo o cirurgião, é que essa reação biológica não acontece da mesma forma em todos os pacientes. "Essa resposta é individual e imprevisível. Algumas pessoas apresentam apenas uma reação discreta, enquanto outras desenvolvem nódulos, granulomas, acúmulo de líquido e processos inflamatórios que podem surgir meses ou até anos depois da aplicação. Em alguns casos, o organismo passa a expulsar esse material espontaneamente", aponta.

É justamente essa característica que torna o tratamento das complicações especialmente difícil. Diferentemente de preenchedores absorvíveis, o PMMA não desaparece naturalmente. "Quando surgem complicações, muitas vezes o tratamento passa a ser cirúrgico. O material fica entremeado ao tecido saudável e não pode simplesmente ser dissolvido ou absorvido pelo organismo. Isso torna a retirada extremamente complexa", explica Peruzzo.

Segundo o especialista, esse conjunto de evidências científicas foi determinante para a publicação da Resolução nº 2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina, que proibiu o uso médico do PMMA para preenchimentos estéticos e reparadores em todo o Brasil. A decisão foi fundamentada em estudos que associam a substância a reações inflamatórias tardias, granulomas, infecções persistentes, necrose e sequelas permanentes.

Peruzzo ressalta que ainda existe uma diferença importante entre a regulamentação médica e a situação regulatória do produto. "É uma proibição ética para médicos. A Anvisa ainda mantém o registro da substância porque existe uma indicação muito específica, que é o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV, realizado exclusivamente em centros de alta complexidade do SUS. Fora dessa situação excepcional, a própria medicina vem abandonando progressivamente o PMMA", destaca.

Na avaliação do cirurgião plástico, a evolução dos materiais disponíveis também contribuiu para essa mudança. "Hoje existem alternativas que oferecem resultados semelhantes, mas com um perfil de segurança muito superior, como a hidroxiapatita de cálcio e o ácido poli-L-lático. Não se trata de preconceito contra uma substância. Trata-se da evolução da ciência. Quando há uma opção mais segura para o paciente, esse deve ser o caminho escolhido pelo médico", diz.

Para o especialista, casos como o investigado no Rio de Janeiro reforçam a importância de que pacientes procurem profissionais habilitados e compreendam exatamente qual substância será utilizada antes de qualquer procedimento estético. "A decisão não pode ser baseada apenas na promessa de um resultado estético. O paciente precisa saber o que está sendo implantado no seu corpo e quais são as consequências que esse material pode trazer ao longo da vida", conclui.

Sobre o Dr. Alexandre Peruzzo

Dr. Alexandre Peruzzo é cirurgião plástico em Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade.

Ao longo da carreira, desenvolveu a Minilipolaser, técnica minimamente invasiva para remoção de gordura localizada, baseada na adaptação do procedimento às necessidades reais de cada paciente. Sua atuação parte da tese de que a cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de reaproximação do paciente com a própria saúde, com atenção à preservação do metabolismo, da massa muscular, da rotina e dos hábitos de vida.

Para mais informações, acesse Linkedin e Instagram.

Sobre a clínica

A clínica do Dr. Alexandre Peruzzo atua no segmento de saúde de alto padrão, com foco em cirurgia plástica, contorno corporal minimamente invasivo, medicina estética, longevidade, avaliação metabólica e acompanhamento individualizado. O modelo de atendimento integra estrutura clínica, exames modernos, monitoramento da evolução corporal e uma experiência voltada à segurança, discrição e personalização, com conexão ao turismo médico e ao mercado premium em saúde.

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